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segunda-feira, 19 de setembro de 2005

Noturno de Chopin (Nilto Maciel)


Invisível pianista
dedilhava de Chopin
um noturno, e era dia.
Eu talvez tivesse apenas
oito anos ou bem menos.
Debruçava-me no muro,
para a serra me voltava,
sem saber de melodias.
Entretanto, vi minh’alma
e o tormento dela em mim.
Cães vadios pela rua,
no quintal galinhas, bichos;
alto o Sol a nos brilhar.
Parecia imensa a igreja
de onde Deus nos espiava.
Ó desejo de tocar
o invisível instrumento,
de noturno me tornar,
ser Chopin, chorar talvez.
Em verdade eu lastimava
desenganos do porvir.

28/7/2001
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